Urgências 18 Agosto 2026

Dor de Dentes: O Que Fazer e o Que Nunca Deve Fazer

Nem toda a dor de dentes é igual. O tipo de dor diz muito sobre a causa — e há sinais que não devem esperar pela próxima semana.

Dor de Dentes: O Que Fazer e o Que Nunca Deve Fazer

A dor de dentes é uma das dores mais incapacitantes que existem — e uma das que as pessoas mais tendem a adiar, na esperança de que passe. O problema é que, em medicina dentária, o desaparecimento da dor raramente significa que o problema se resolveu.

O que o tipo de dor diz sobre a causa

A forma como a dor se comporta é a primeira pista para a origem:

Como se manifesta Causa provável
Sensibilidade breve ao frio ou ao doce, que passa logo Cárie inicial, retração gengival ou dente sensível
Dor ao frio que persiste vários minutos depois do estímulo Inflamação do nervo (pulpite) — já não reverte sozinha
Dor espontânea, latejante, pior deitado ou à noite Pulpite avançada
Dor forte ao morder ou ao tocar num dente específico Infecção que passou para o osso à volta da raiz
Inchaço na gengiva, com ou sem pus Abcesso
Dor difusa por trás, com gengiva inflamada Pericoronite, frequentemente associada ao siso
Dor nos maxilares ao acordar, várias vezes por semana Bruxismo ou disfunção da articulação

Há um sinal que merece destaque, porque é contraintuitivo: dor que pioura quando se deita. O aumento da pressão sanguínea na cabeça em posição horizontal comprime um nervo já inflamado dentro de um espaço rígido. É bastante típico de pulpite.

O que fazer enquanto espera pela consulta

  • Anti-inflamatório, se não tiver contraindicação, respeitando a dose da bula.
  • Gelo por fora da face, em períodos curtos e intervalados.
  • Dormir com a cabeça mais elevada — reduz a pressão na zona.
  • Manter a higiene da zona, mesmo que doa. Escovar com cuidado é melhor do que não escovar.
  • Bochechos com água morna e sal podem dar algum alívio numa gengiva inflamada.
  • Evitar temperaturas extremas, doces e mastigar desse lado.

O que nunca deve fazer

  • Colocar aspirina em cima do dente ou da gengiva. É uma crendice antiga e causa queimadura química dos tecidos moles. A aspirina atua por via sistémica, não por contacto.
  • Aplicar calor na face inchada. Pode acelerar a propagação da infecção.
  • Tomar antibiótico que sobrou de outra vez. Não resolve a maioria das dores dentárias, atrasa o tratamento correto e contribui para as resistências.
  • Tentar drenar um abcesso com objetos, por sua conta.
  • Assumir que passou. A dor que desaparece sozinha ao fim de dias de agonia é, muitas vezes, o nervo a morrer — não o problema a resolver-se.

Sinais que exigem atendimento no próprio dia

Não espere pela consulta marcada se tiver:

  • inchaço da face, sobretudo se progride rapidamente
  • febre associada à dor
  • dificuldade em engolir ou respirar — urgência hospitalar imediata
  • dificuldade em abrir a boca
  • inchaço no pavimento da boca ou que se estende ao pescoço
  • traumatismo com dente partido, deslocado ou avulsionado
  • hemorragia que não para após compressão

Uma infecção dentária não fica confinada ao dente. Pode propagar-se pelos espaços do pescoço e da face, e nesses casos torna-se um problema médico sério, não apenas dentário.

Dente partido ou que saltou fora

No caso de um dente definitivo avulsionado — que saiu inteiro por trauma — o tempo é o fator decisivo:

  1. Pegue no dente pela coroa, nunca pela raiz.
  2. Se estiver sujo, lave em soro fisiológico ou leite, alguns segundos, sem esfregar.
  3. Se conseguir, reimplante-o no alvéolo e morda um pano limpo para o segurar.
  4. Se não conseguir, transporte-o em leite ou na saliva do próprio. Nunca em água nem a seco.
  5. Procure atendimento imediatamente. As primeiras horas determinam o prognóstico.

Um dente de leite avulsionado não se reimplanta — mas a criança deve ser observada na mesma.

Porque é que doer não é o critério

Muitas das situações que acabam em tratamentos complexos passaram um longo período sem doer. A cárie começa no esmalte, que não tem nervos, e só dá sinal quando já chegou perto da polpa. A doença periodontal destrói osso durante anos praticamente em silêncio.

Quando a dor aparece, o problema já vai a meio do caminho. É por isso que as consultas de rotina existem: não para tratar o que dói, mas para apanhar o que ainda não dói.

Quando consultar

Qualquer dor dentária que dure mais de um ou dois dias justifica avaliação, mesmo que ceda com medicação. Qualquer inchaço justifica avaliação urgente.

Nas nossas clínicas em Lisboa e na Portela reservamos diariamente espaço para situações agudas. Ligue e descreva o que sente — a triagem ao telefone permite-nos perceber se é uma situação para ver hoje ou se pode aguardar consulta marcada. Veja também o nosso guia sobre urgências dentárias e o que fazer em cada situação.

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