Poucas conversas em medicina dentária geram tanta confusão como a dos seguros. Boa parte dessa confusão vem de uma distinção que raramente é explicada: regime livre e regime convencionado não são o mesmo, e a diferença muda quanto paga e quem decide o tratamento.
As duas modalidades, sem jargão
Regime convencionado. A entidade tem acordo direto com a clínica. No momento do tratamento paga apenas uma parte — o copagamento — e a entidade liquida o resto diretamente. Em troca, o tratamento fica limitado à tabela acordada: procedimentos previstos, materiais previstos, valores previstos.
Regime livre. Escolhe a clínica que quiser, paga o tratamento na íntegra e submete depois a fatura para reembolso parcial. Desembolsa mais no momento, mas não há limitações quanto ao médico, ao plano de tratamento ou aos materiais.
Nenhum é universalmente melhor. O convencionado reduz o desembolso imediato; o livre dá liberdade clínica. O erro é não saber em qual está.
Como funciona a ADSE
A ADSE é o sistema de proteção na doença dos trabalhadores da Administração Pública — funcionários públicos, professores, magistrados, militares na reserva e beneficiários extensíveis. Tem as duas modalidades.
Na Clínica Dr. António Bexiga trabalhamos em regime livre. Na prática:
- Faz o tratamento e paga na clínica.
- Emitimos fatura com os códigos de procedimento necessários à submissão.
- Submete à ADSE e recebe o reembolso parcial.
Quanto à pré-autorização: a maioria dos tratamentos simples não exige. Próteses e ortodontia podem exigir, e é aí que convém confirmar antes de começar.
O detalhe completo está na nossa página da ADSE.
Seguros de saúde privados
Funcionam de forma semelhante, mas com uma diferença importante: quase todos têm tetos anuais e períodos de carência.
Aceitamos ADSE (regime livre), Multicare, AdvanceCare, Allianz, Future Healthcare, Medicare, SSCGD, Médis, Médis CTT, MEO Médis, SAMS Quadros e EDP Sãvida. Cada um tem página própria com as condições.
As cinco perguntas a fazer antes de começar
Vale mais fazê-las antes do que descobrir depois:
- Estou em regime livre ou convencionado nesta clínica? Determina se paga tudo agora ou só uma parte.
- Este tratamento exige pré-autorização? Submeter depois de feito costuma resultar em recusa. É o erro mais caro e o mais comum.
- Qual é o meu teto anual, e quanto já usei este ano? Muitos planos têm um limite global para estomatologia que se esgota depressa num tratamento extenso.
- Há período de carência? Seguros recentes costumam ter meses de carência para os procedimentos de valor mais alto.
- Que percentagem é reembolsada para este procedimento em concreto? As percentagens variam muito entre consulta, higiene oral, endodontia e implantologia.
O erro mais frequente
É este: assumir que "tenho seguro" significa "está coberto".
Os planos de saúde cobrem tipicamente bem a medicina dentária preventiva — consultas, higiene oral, radiografias. É onde a comparticipação faz mais diferença proporcional, ainda que sobre valores já baixos.
Onde tendem a cobrir mal é exatamente onde os custos são altos: implantologia, próteses e ortodontia. É comum haver comparticipação nominal, mas com tetos que a tornam pouco relevante face ao valor total.
Isto não é argumento contra ter seguro — é argumento para ler os limites antes de planear um tratamento extenso contando com ele.
Uma consequência prática
Se o seu plano cobre bem a prevenção e mal a reabilitação, a leitura óbvia é usar aquilo que ele cobre bem. Consultas de rotina e higiene oral regulares, comparticipadas, são precisamente o que evita chegar aos tratamentos que o plano não cobre.
É o caso mais claro em que o incentivo financeiro e o interesse clínico apontam na mesma direção.
O que fazemos do nosso lado
- Emitimos fatura com os códigos necessários à submissão.
- Apoiamos na documentação e nos pedidos de pré-autorização.
- Apresentamos sempre orçamento escrito e discriminado antes de iniciar, para que possa confirmar a cobertura com a sua entidade com números concretos em mãos.
Este último ponto é o mais útil: com um orçamento discriminado por procedimento, consegue perguntar à seguradora exatamente o que é comparticipado, em vez de tentar adivinhar.
Quando consultar
Traga o cartão ou o número de beneficiário à primeira consulta e diga-nos qual é o seu acordo. Na consulta de avaliação apresentamos o plano com valores por etapa — e é com esse documento que confirma a cobertura antes de decidir avançar.
Os valores indicativos dos tratamentos mais frequentes estão na tabela de preços, e as condições de cada acordo nas páginas de convénios.
Este tema tratado na clínica
Se quiser passar da informação ao caso concreto:
Ficou com uma dúvida sobre o seu caso?
Deixe o contacto. A equipa liga de volta para esclarecer e, se fizer sentido, marcar uma avaliação.